

Home/Colunistas

Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
O Brasil perdeu a Copa do Mundo de 2006, mas, os brasileiros ganharam a oportunidade de aprender que o destino não é definitivo, mesmo que acreditemos nesta possibilidade. O futuro resulta de nossas ações presentes e nada muda esta regra da natureza. Na Era da Informação, pão e circo são estratégias ultrapassadas para fazer esquecer a realidade que nos rodeia. O desemprego é grave, a exclusão social um fato, a violência uma ameaça à tecnologia de segurança e a ética na política, uma vergonha nacional. Depois de assumir a responsabilidade com o adolescente diante do juiz, confesso que tive de reordenar meus planos profissionais e pessoais. Minha vida ficou diante de um desafio que estava ausente em meus planos.
Precisava criar uma nova estratégia, pois, de uma ora para outra, todas que eu possuía ficaram obsoletas. Não decidi por uma estratégia moderna, sofisticada, mas, uma plataforma convencional, quase bruta, básica o suficiente para me colocar na terra e me permitir plantar a raiz de uma nova ordem. Meu sentimento era de subir em um trator e começar a terraplenagem imediatamente. Mas, não podia decidir algo sem consultar os amigos mais próximos e, ao mesmo tempo, me acostumar com a idéia.
Qualquer estratégia necessita de um tempo para atingir a maturidade e, somente, superado este estágio, criamos as condições favoráveis para sua implantação. Além desta espera, precisamos criar um fato social que ampare a decisão estratégica. Lembrei que em 08 de julho de 2006, completaria um ano que nunca mais coloquei um cigarro na boca. Daria-me um presente pela postura diante do juiz e, de quebra, um bônus pelo aniversário do primeiro ano do resto de minha vida, sem fumar. A ansiedade, diferente da que senti diante do juiz na primeira cidade brasileira, era carregada de expectativa prazerosa. Por volta das dez horas estávamos na estrada. Minha amiga para todas as coisas relacionadas à alegria e o prazer de viver, sempre me diz uma frase quando se trata de festas: “me chama que eu vou”.
A cidade de Tietê fica na região das nascentes do rio Tietê, nas proximidades da cidade de Sorocaba, uns 130 quilômetros de São Paulo. Denominada de cidade Jardim pela graciosidade e cuidado como é tratada a bela praça central, a então Freguesia da Santíssima Trindade de Pirapora do Curuçá, assim chamada no século XVIII, se tornou em 1867, Tietê, palavra indígena "té é té", cujo significado alude ao RIO, que se mostra "muito fundo e corrente" e corta a cidade (www.tiete.sp.gov.br). Às 13 horas eu estava olhando para aquele jeep willys branco, ano e modelo 1982, tração nas quatro rodas, capota móvel. Não se tratava de um trator, era o mais próximo que podia desejar, sem entrar no limite da loucura.
Minha cabeça não administrava a ansiedade. Na verdade nunca havia conduzido um veículo daquele porte. Apesar de ter saído de São Paulo decidido, quando cheguei, senti o medo procurar acolhimento. Como voltaria dirigindo uma máquina de duas toneladas de ferro? Minha amiga deu o ultimato: “eu não levo”. Nos extremos podemos avançar e fazer travessias qualitativamente criativas ou, então, parar e ficar contemplando. Alguns preferem até voltar.
Naquele momento, senti que deveria fazer minha travessia sem o menor sofrimento, considerando a situação vivida com o adolescente. Obviamente, acredito que devemos correr