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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
Quando comecei a ler o relatório técnico daquela organização é que percebi o quanto teria de ficar atento à análise das informações ali contidas. Não poderia partir do princípio de que tudo que estava escrito era verdadeiro e correto 100%, mas, também, seria ingenuidade pensar o contrário. A fonte de informação primária deve ser triada e checada com cuidado, antes que seja tornada pública. Não entrarei no mérito sobre a veracidade do que as pessoas comunicam na internet, televisão, rádio, Ipod, celular, MP3, painéis eletrônicos e outras criativas formas de marketing digital, para fazer chegar até o consumidor o que se pretende vender.
Ao se referir às atitudes e comportamentos humanos na modernidade, o psicanalista francês Jacques Lacan (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Lacan), questiona a relação interpessoal, a partir da expressão do desejo, que neste caso, mostra-se pela fala. Mas, o que falamos no dia-a-dia é integralmente verdadeiro? Quando devemos falar a verdade e mais, para quem nosso segredo deve ser exposto e depositado nossa confiança? Para o Outro, responde o psicanalista que faz uma releitura sobre a estrutura do inconsciente em Freud e afirma que este é infinitamente mais complexo que o consciente. Mas, quem ou o que é o Outro, ao qual se refere Jacques Lacan? O Outro, com a letra “O” em maiúsculo, é a subjetividade da relação interpessoal e, portanto, nem sou eu ou muito menos você, mas, o resultado, a síntese de nossa convivência social, o segredo da cumplicidade, da confiança construída entre duas pessoas ou a ética social de uma comunidade inteira, seja concreta ou virtual. Para não ser compreendido como radical ou rigoroso em minhas percepções, mantive a televisão ligada no horário político, apesar da resistência e o pouco tempo que me restava, para cumprir o prazo de entrega do relatório avaliado, sobre a prática de gestão daquela organização, sob minha responsabilidade.
Fiquei com os olhos fixos nos sinais que aquela pessoa fazia com as mãos, no canto superior esquerdo do aparelho, enquanto o político falava. Por um momento, como não sei ler em braile, pensei se não estaria “dizendo” o contrário do que era comunicado, tipo: “não podemos mais tolerar esta corrupção que tomou conta da casa do povo”. Diferente da ética profissional de imparcialidade da comunicadora obrigando-a a sinalizar o que realmente estava ouvindo, minha fantasia difundia insistentemente outra mensagem: “ele está falando lorota, não acredite”. Então, me ocorreu o seguinte: juntamente com esta prestação de serviços ao cidadão portador de deficiência auditiva, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, deveriam decretar que os candidatos que se apresentam no horário político da televisão, estivessem ligados a um aparelho detector de mentiras, como uma espécie de bíblia eletrônica, assumindo perante Deus e o povo, que falará “somente a verdade e nada mais que a verdade”. Sob a imagem do político falando, ficariam três faixas: verde, amarela e vermelha, mostrando a evolução do discurso, igual ao eletrocardiograma, sinalizando a pulsação do coração e, conforme o candidato falasse, o sistema mostraria a intensidade da faixa