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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
A universidade é o espaço de aprendizagem e qualificação das virtudes mais elaboradas e sofisticadas da vida, mas, também, prepara o indivíduo para exercitar sua cidadania, saber como se comportar em público e comunicar sua idéia sem corromper a criatividade do Outro. Obviamente, que a vocação profissional torna-se o principal sustentáculo da matriz de produção do conhecimento, seguindo uma pedagogia e didática própria, seja pela extensão comunitária, pela pesquisa ou mesmo, pelo ensino. Entrava pela primeira vez naquela sala de aulas, juntamente com àqueles adolescentes, ingressos no primeiro semestre do curso. Estava ali para comunicar a realidade em que se encontravam, não como secundaristas, mas, como universitários que serão informados para compreenderem a importância do desenvolvimento sustentável, integrado e local, como serem proativos em um mercado cada vez mais competitivo e, que enfrentarão cinco anos à frente, quando estiverem saindo da universidade para o mundo do trabalho.
Passando quase despercebido e ocupando um lugar, neste caso, pertencente a um professor da turma, que estava ausente naquele dia, posicionei-me diante de todos e vociferei as regras do projeto de curso, que cada um teria pela frente, até a conclusão de sua graduação. Estava questionando a educação que tiveram no ensino fundamental: curso, turma, classe, disciplina, orientador, colega, aluno, professor e outros modelos tradicionais de educação. Somente uma crise criativa, pode evitar que eles repitam a mesma estratégia de comportamento, de mentalidade, de administração, de militância, inadequado para uma Sociedade de Informações, informatizada, digital, de conhecimento e em rede.
A platéia, pela lista de freqüência, era de noventa componentes, entretanto, as vésperas do feriado nacional que comemora a independência do Brasil, tinham cerca de 60% do universo. Usando raciocínio lógico, um pedaço de giz e um quadro na parede, risquei esquemas de uma visão sistêmica, como solicita o projeto pedagógico para formar profissionais críticos e conscientes de suas responsabilidades. O espaço da universidade é inteligente, sapiente, social, cultural, mas, essencialmente, facilitador da relação de aprendizagem e construção do conhecimento. “Professor, não estamos entendendo o que o senhor quer que seja feito”. Apontou um dos alunos, que não deixava muito clara sua boa intenção.
“Primeiramente, não é o que eu quero, mas, o que precisa ser feito pelas regras da instituição. Não é uma decisão minha e sim de vocês que escolheram se formar em administração de empresas. Estou (in)formando qual é o pré-requisito para ser administrador com visão empreendedora e vocês que avaliem suas escolhas”, argumentei convicto, completando em seguida: “vocês não estão no segundo grau, em que o aluno é induzido a depender do professor. Recebem um livro didático que apostila seqüencialmente o conteúdo da formação e que, por meio de um questionário orientador, o aluno se exercita até fazer o teste. É confortável a primeira vista, mas, doutrinador e alienante da capacidade de uso criativo do livre arbítrio. Na universidade, contrário a este princípio, o professor é que depende do aluno, na construção do conhecimento. Cada um precisa expor seu ponto de vista, sua an&