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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
Em pesquisa sobre a universalização do acesso no Brasil, a última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, demonstrou no segundo semestre de 2006, que 91,8 milhões de brasileiros possuem celulares. Entretanto, o mesmo estudo indicou que cerca de 80% dos usuários cadastrados usam o sistema pré-pago, revelando uma tendência contraditória no campo da universalização do acesso. A infoinclusão social é para além do digital e, por mais que, particularmente, discorde da associação que faço, está intimamente vinculada a maior e eqüitativa na distribuição de renda no país, algo que em duas décadas não se resolverá, enquanto a política de desenvolvimento local for desintegrada e insustentavelmente dependente de benesses políticas de pouca clareza.
O desenvolvimento local se expressa pela dinâmica inovadora da vocação econômica. “Mas, no caso de nossa cidade, o governo anterior conseguiu promover um intenso incentivo fiscal que permitiu que o comércio crescesse como nunca. Várias lojas abriram na cidade”, defendia com eloqüência um dos moradores do lugar que participava, juntamente comigo, daquele churrasco feito na panela. Particularmente, até o presente momento somente havia participado de churrasco feito na churrasqueira, na panela era a primeira vez. Nada contra, mas, churrasco nos extremos do Brasil (Amazônia e Rio Grande do Sul) é uma churrasqueira com muito carvão ao lado, cerveja e carne, mas, muita carne.
O argumento usado pelo cidadão para defender a política local e criticar a nacional era frágil em vários aspectos. No primeiro argumento, tínhamos uma aliança política regional entre os partidos que serviam de base para o governo municipal e no caso, tratava-se da mesma aliança em âmbito nacional, entretanto, meu interlocutor esquecia desse detalhe em sua argumentação. Para responder a sua abordagem refleti ao longo do papo: “Concordo com você que o comércio crescendo a cidade ganha, mas, serviço não significa necessariamente, desenvolvimento. Este carece de modo e meios produtivos próprios para se consolidar como estratégia de crescimento e expansão regional e não é pelo comércio que isto ocorre”.
Prossegui defendendo meu ponto de vista: “A Era dos serviços decorre dos avanços tecnológicos que sofisticaram os meios de produção e, por conseqüência, mudaram os hábitos de consumo, modelo e prática de gestão empresarial e, a visão empreendedora ocupa progressivamente seu lugar no cenário mercadológico. Por outro lado, as estratégias de crescimento e desenvolvimento do mercado assumem características impensáveis há duas décadas passadas, além do próprio paradigma do lucro que repercute na produtividade como um todo, gerando uma nova percepção de modo produtivo, que nem é capitalista ou comunista, mas, uma arriscada e ambiciosa empreitada em torno da promoção do emprego da mão-de-obra em ações sofisticadas de valorização do capital humano”.
Obviamente que a análise apresentada por mim foi além da capacidade de meu interlocutor, porém, não poderia falar de desenvolvimento local, integrado e sustentável em um churrasco de panela sem mostrar a complexidade da Sociedade de Informações que estamos construindo a cada dia, de