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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
O conhecimento tácito, aquele que as pessoas acumulam a partir de suas experiências individuais e vai formar os modelos mentais, para citar Peter Senge, na “Quinta disciplina” (1996), com o tempo se constitui no maior capital intelectual da Sociedade de Informações. Como o conhecimento é intangível, assim como a informação, algo que não se possa ter “pegada”, dificulta alguém copiar, plagiar e até roubar. Pelo menos era o que pensava até o dia que acordei um pouco mais tarde (gosto de acordar quando os meus olhos abrem). No litoral, então, acordar cedo é como estar no interior vale também, para os centros urbanos como São Paulo, em que as pessoas precisam acordar de madrugada para enfrentar o trânsito e se deslocarem para o trabalho. No meu caso, demoro dez minutos de casa ao trabalho.
A claridade me acordou. Quando desci para pegar o jornal não o encontrei. Telefonei para a empresa e a atendente me falou que o jornal havia sido entregue normalmente. Não queria aceitar o fato, mas era verdade: meu jornal foi roubado em um condomínio com 12 apartamentos, aproximadamente 30 pessoas e uma delas havia decidido pegar meu jornal. Justo no dia em que aguardava uma reportagem de meu interesse. Não conseguia admitir que uma pessoa roubava jornal, mas, é um fato na Sociedade de Informações, quando o conhecimento se transforma em capital. Entretanto, para que serve o conhecimento se não for para ser aplicado em benefício de nossa própria qualidade de vida enquanto civilização?
A aplicação do conhecimento para solucionar problemas de ordem individual e coletiva o caracteriza como social. Porém, o fato de ter sua natureza social, não significa que o conhecimento seja de usufruto coletivo. Na Sociedade de Informações a produção de conhecimento exige um investimento elevado em pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e pessoas, sendo a necessidade e o consumo as vias legais mais conhecidas para cobrir custos e possibilitar novas oportunidades no futuro. O significado disto é que o consumo da informação tem um preço como qualquer outra mercadoria e no meu caso, não pago a assinatura do jornal para o vizinho consumir ou tirar meu conforto. Apesar de ficar chateado neste dia, deixei por isso mesmo.
No condomínio cada um tem sua própria chave. Aguardei outra ocasião, roubaram novamente, decidi telefonar para o atendimento ao cliente da empresa. Depois de explicar o ocorrido, a atendente me falou que colocaria uma etiqueta de identificação. Parece-me razoável que a mercadoria para ser consumida, possua uma identidade que permita conhecer suas propriedades, origem, preço e destinação.
Na Sociedade aberta, vou usar a definição de um autor que tenho pouca simpatia, mas, reconheço sua inteligência e capacidade para identificar as tendências no mercado. George Soros (www.soros.org), em La Crisis del Capitalismo Global – La Sociedad Abierta en Peligro (Madrid, editorial debate, 1999), aborda que o sistema capitalista global se caracteriza não somente pelo livre comércio, mas também, pela livre circulação de capitais, algo que o autor conhece, o fazendo partir do pressuposto de que na sociedade aberta, a base é a imperfeição da compreensão e das conseqüências imprevisíveis das ações humanas e, era exatamente isto que aconteceu: uma ação imprevista de um vizinho ávido por informação. Por um instante tentei me confortar com idéia de que era me