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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
A mudança estrutural na universidade provocou o movimento de muitos alunos que não conseguiram nota suficiente para aprovar no semestre e, consequentemente, ficaram em dependência em algumas disciplinas, o que acabou provocando nestes alunos a manifestação escrita por e-mail do descontentamento. Lendo algumas das mensagens eletrônicas, identifiquei que eles se queixavam pelo fato de serem forçados a saírem da zona de conforto, exigindo maior aplicação, determinação e disciplina nos estudos. Decidi escrever uma reflexão como resposta, lembrando que as atitudes de hoje serão as posturas que o netizen (nomenclatura em inglês para cidadão digital) assumirá no futuro, considerando que a Cidade Digital é a projeção de informações e comunicações em rede, a partir da cidade física. Iniciei a reflexão dizendo: pensava que a mudança poderia ocorrer sem alardes, concluo que não é possível, mas também, percebo que a mudança é sistêmica e independe da nossa vontade; Logo, falamos de mudança em cadeia, que mesmo sendo densamente organizada em blocos, somente será perceptiva quando ela finalmente chega a nós e interfere na nossa comodidade pessoal ou profissional. Quando o âmbito é profissional, então, a mudança não é somente um momento de passagem entre fases de um processo, mas, torna-se um sistema de múltiplas relações, novas regras ou extinção de regras que caducaram com o tempo e, por um motivo ou outro, tais regras na Era digital deixaram de promover o percurso necessário para assegurar a qualidade nos resultados e a projeção da excelência produtiva.
Para que a qualidade ocorra em sua plenitude, será necessário o padrão, a direção, a organização, o controle e claro, os resultados ambicionados e estabelecidos como meta. Obviamente que ninguém consegue resultado sozinho dentro de um grupo, organização, empresa ou em uma universidade. Para quem pensa que qualidade é algo que se forma na cabeça individual, sinto muito, está enganado. A qualidade na Era digital é resultado da relação entre o desejo de fazer e a concretude da realização eficaz de um processo; Mas, se definir qualidade fosse assim simples, também não seria qualidade, seria demagogia. A qualidade precisa de uma operação produtiva com maior tempo, mas também, exige que os gestores estejam atentos para o processo, que a governança seja ética e comprometida com os resultados efetivos e eficientes de forma contínua.
A qualidade na Era digital requer reflexões sobre os nossos modelos mentais engessados e pouco educados para viverem em uma sociedade globalizada de informações, que funciona em rede, que produz conhecimento em tempo real, que estabelece padrões e modelos cada vez mais sofisticados e inovadores para atender a complexa economia digital, energética e espiritual que transforma os hábitos, as atitudes e os valores de uma Era nunca antes vivida pela humanidade. Simultâneo a este mesmo padrão inovador e avançado de modelos, convivemos com realidades locais muitas vezes desprezíveis no âmbito da inclusão social, cidadãos desrespeitados em seus direitos e excluídos de qualquer pertencimento social. São sociedades inteiras que se dividiram em castas e se acostumaram a viver desta forma, como se isso fosse vontade divina, mas, não &eacut