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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
A infoinclusão social é um conceito que desenvolvi em meus estudos para contornar as armadilhas da inclusão digital e neste caso, denomino assim, como forma de qualificar a importância dos gestores contemplarem em suas políticas de inovação tecnológica na Sociedade de Informações, setores fundamentais para o desenvolvimento local: educação, cultura, cidadania e vocação econômica.
Atualmente estas áreas estão engendradas nas próprias políticas públicas de países emergentes como o Brasil, que vêem na Era da informação a oportunidade de superarem seus atrasos sócio-econômicos e culturais. Diria que existem dois equívocos: o primeiro está na análise superficial da questão como se o avanço tecnológico fosse um fenômeno da modernidade e não um processo de inovação que ocorreu ao longo do desenvolvimento humano; em segundo, a ausência de percepção da realidade concreta como fato e não como percepção somente.
Nos dois casos, tratamos de uma mesma estrutura: a inclusão. Como promover políticas de inclusão na atualidade? A Sociedade de Informações é capaz de absorver as demandas de cidadania de metrópoles como São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Recife ou Rio de Janeiro? Quando analisamos a realidade concreta de um cidadão que acorda às cinco horas da manhã para enfrentar um longo trajeto entre sua morada e o local de trabalho, como seria a inclusão do computador em sua vida?
Obviamente que responder questões desta natureza, implica perceber que na Sociedade de Informações o capital mais importante não é a informação em si, mas, o acesso e usufruto dos benefícios da produção de informações pelo e para o cidadão. Neste aspecto, o tema se torna mais complexo, uma vez que entramos no campo das políticas públicas o que depende do programa de governo do partido político que se encontra no poder, entretanto, o problema é que tais partidos políticos estão preocupados com o presente e não com o futuro.
Torna-se desnecessário apontar a educação como chave do desenvolvimento sustentável e local. Esta é uma abordagem hegemônica na O.N.U que defende metas a longo prazo e controladas tanto técnica, como politicamente. Educar na Sociedade de Informações não se trata somente de ensinar como usar um computador, um caixa eletrônico, um telefone ou uma câmera digital, mas, essencialmente, desenvolver a percepção integrada de realidades históricas e antagônicas: mundo físico e o ciberespaço. Entretanto, desenvolver a percepção integrada requer uma base cultural. A cultura será cada vez mais o diferencial na sociedade avançada tecnologicamente.
Em se tratando de ciberespaço, a cultura vai além de sua dimensão local e comunitária, traduzindo um modo de ser, um estilo de vida, uma estética e um padrão comportamental, ético e valorativo. Neste aspecto, educar na Sociedade de Informações é um desafio de inclusão cultural e não somente de alfabetização digital, como preferem abordar alguns programas governamentais e da sociedade civil organizada. Ao analisarem a questão desta forma, tais programas adotam a visão de inclusão digital, limitando as potencialidades do próprio cib