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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
Não preciso fazer uma reflexão sobre a pobreza, basta você olhar para os lados, assistir a TV, ler os jornais ou uma revista semanal, escutar o rádio ou conectar-se à internet e para completar, pode também observar aquele indivíduo que ao se aproximar de você, como um vírus , aloja-se em sua energia vital e enquanto você não coloca seus anticorpos para trabalhar, você se sente esgotado, exposto, fragilizado e mergulhado em um subterrâneo depressivo e perturbador. Eu, por exemplo, fico com enxaqueca quando isto acontece e somente consigo melhorar depois de me banhar, trocar de roupas, engolir um analgésico, entrar em meu quarto, manter o ambiente em silêncio e escuro, relaxar minha respiração, deitar sem travesseiro na cama, fechar os olhos e pedir que ninguém fale comigo. No dia seguinte acordo e continuo a vida, mesmo com 80% da riqueza mundial concentrada nos 15% mais ricos, como mostra a revista americana Forbes.
A pobreza é uma categoria econômica medida por indicadores de exclusão social e poder aquisitivo classificado pela propriedade de bens ou pela capacidade de ter e, claro, preservar e aumentar progressivamente a influência social. Por outro lado, pode manifestar-se na alma que os pré-socráticos, na Grécia antiga, denominavam como energia vita l que anima o corpo. Entretanto, por um princípio religioso ou mesmo ignorância, a alma se transformou em espírito e desta forma, a pobreza passou a ser vista como virtude da humildade, solidariedade, caridade, filantropia, assistência social ou mesmo, expiação. Neste caso, pobreza pode ser quando este indivíduo que consome sua energia e vampiriza suas forças, inveja seu estilo de vida e às vezes sem perceber, deposita seu insucesso em você.
Somos responsáveis por tornar a pobreza em mentira que conforta a alma, mas incomoda os olhos e a vida do pobre que vive nas metrópoles brasileiras. Nós reforçamos esta visão inadequada que torna a cidade um ambiente violento, amedrontador, vazio de cidadania e repleta de injustiças. Em São Paulo, você pode observar os contrastes sociais se multiplicando como um vírus . A pobreza se expressa em regiões periféricas da cidade e é a última condição anterior àquela em que o desprovido de recursos e sua família, começa a morar em baixo dos viadutos e passa a servir de pauta para programas sensacionalistas da televisão.
Esta pobreza real se resolve com políticas públicas transparentes e planejadas com responsabilidade fiscal e social, distribuindo oportunidades de trabalho e redistribuindo renda. É fundamental ainda, que seja minimizado o impacto da educação tutelar e dependente que aprisiona o pobre brasileiro em ambições tímidas e introvertidas, reforçando a baixa estima. Sou otimista quanto à superação do estágio egocêntrico e tecnicista da educação no Brasil. Acredito na autonomia, na aprendizagem espontânea e na liberdade do cidadão decidir de forma participativa o seu destino enquanto comunidade.
O professor não é o provedor do saber. A criança precisa de reforço positivo na aprendizagem. O jovem não precisa de caridade educacional , precisa sim e muito, de orientação, cumplicidade, parceria informacional e comprometimento com resultados palpáveis. A prova que você fez quando estudava e que a criança e/ ou jovem faz na escola atualmente é monotemá