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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
Paramos o carro em um restaurante à beira da estrada, para comprar o que faltava, antes de chegar em nosso destino. Por volta das doze horas e quarenta minutos, eu e mais duas amigas, estávamos a caminho da residência de outra amiga, em Itapecerica da Serra. Na região, a Mata Atlântica se estende como “corredor verde” que oxigena os arredores da cidade. Por outro lado, grande trecho foi ocupado desordenadamente, fazendo surgir diferentes concentrações populacionais, adensando os conflitos, o perigo e a miséria.
As favelas refletem a pobreza da população e a ausência de política pública responsavelmente administrada no município. O desenvolvimento local, integrado e sustentável e a sensibilidade política do gestor eleito pelo povo, são fundamentais no destino da cidade. O empobrecimento e a “favelização” não é de hoje e se desdobra em dois motivos explícitos: no primeiro, famílias procurando melhores condições de vida, invadem o território e se “assentam” sem qualquer tipo de orientação do poder público (o resultado é catastrófico). No segundo, complementar ao primeiro, os “corretores” de plantão, não autorizados, negociam terras ilegais com desavisados que saem em busca de seus sonhos.
No ciberespaço, a cultura de ocupação do território é similar e a localização do “sitio” é, por exemplo, pelo endereço eletrônico. Existe o princípio capitalista que se generalizou e “loteou” o ciber-território, a partir de “ ciber-corretores ” que registraram os domínios e assumiram sua propriedade, com o advento da Sociedade da Informação, apontada em meu estudo sobre Cidade Digital. Os ciber-corretores adquiriram seus endereços quando a infra-estrutura tecnológica, em suas diversas expressões de comunicação, estava sendo testada pelo governo norte-americano e em países europeus, principalmente, os da parte central e norte-européia, tendo como parceiros universidades e centros governamentais de pesquisas, originando a Internet.
No estágio seguinte, os empreendedores se arriscaram no mercado tecnológico e possibilitaram a passagem da Sociedade da Informação para a Sociedade Informatizada, tendo um rápido progresso na aplicação e conectividade, quanto às novas tecnologias de informação e comunicações. O mundo nunca viu tamanha revolução em rede e ciberativismo, em tão pouco tempo, capitaneada pela invenção do computador, entre as décadas de 40-50 e da Internet, na década de 70. A Sociedade Digital transforma sistemas analógicos, limitados operativamente, em digitais, compartilhados pela convergência tecnológica que integra o desenvolvimento local e global. Conhecer se tornou a matriz inquestionável da obviedade reproduzida em rede. A Sociedade do Conhecimento é o estágio que valoriza um dos maiores progressos humanos: a inteligência interligada coletivamente no Ciberespaço.
O conteúdo digital, no sentido de difundir socialmente o conhecimento em larga escala, torna-se a travessia para o estágio evoluído da Infoinclusão Social, que denominamos Sociedade em Rede. Imagine uma cidade envolvida por uma camada energética, que invisivelmente, ultrapassa seu corpo e, invariavelmente, conecta o mundo real com o virtual. Você se encontra na ciber-travessia que confunde razão, emoção, percepção, cr