

Home/Colunistas

Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
Na entrada da sala, uma televisão de plasma mostrava uma tomada de 180o daquele espaço high tech que a orquestra sinfônica se apresentaria sob a regência de um maestro finlandês. A nitidez da imagem digital e a tonalidade de cores na tela de plasma me transportavam no tempo. Aos poucos o espaço foi ocupado, em praticamente todas as poltronas que formavam o teatro de arena, em sua concepção moderna.
Na maior e mais moderna sala para concertos da América Latina a tecnologia é o diferencial. O teto se movimenta alternadamente conforme a apresentação e a acústica do ambiente é uma obra prima de engenharia humana. No dizer institucional, “o projeto da Sala São Paulo possibilita a apresentação de qualquer tipo de concerto, pautada pela alteração do espaço da sala de concertos gerada pela flexibilidade do forro com painéis móveis. Além disso, os elementos de composição foram concebidos para a reflexão sonora multidirecional, atendendo a recomendações acústicas”. Para conhecer este projeto, faça uma visita virtual no site http://www.salasaopaulo.art.br.
Em finais de semana prolongados com feriado, São Paulo fica convidativa para passeios culturais. A cidade estava tranqüila, poucos carros circulando, as pessoas vestidas especialmente para o espetáculo, entravam na sala e ocupavam seus lugares educadamente. Fechei os olhos e fiz um esforço de imaginação, tentando acostumar o ouvido àquela nave de equilíbrio sonoro em que me encontrava. Não consegui escapar da comparação com os dias mais tensos da cidade e sua poluição sonora.
A metrópole está cada vez mais barulhenta e torna-se quase impossível à distinção entre um ruído e outro. O ruído resulta de um número muito grande de freqüências que se encontram de forma desordenada produzindo uma vibração sonora que, no caso, pode incomodar bastante a capacidade humana de suportar sua intensidade. Por outro lado, parece que depois de um tempo, o ouvido se habitua e cada som se completa no outro. O que antes parecia irritante e caótico, vai criando sentido e assumindo uma lógica única. Quando menos se percebe o ruído do cotidiano passa a ser um som orquestrado, uma sinfônica urbana. Olhando desta forma, todo ruído, no futuro, pode ser o inicio de uma música agradável para os ouvidos. As notas musicais formam um conjunto denominado gama e um conjunto de gamas forma uma escala musical. A mais conhecida e popular combinação nesta área é a gama natural ou as notas dó, ré, mi, fá, sol, lá si e novamente dó. Estes nomes foram atribuídos a Guido de Arezzo, músico italiano que viveu no século XI. Se desejar conhecer sobre a física da música visite o site http://www.cdcc.sc.usp.br.
Minhas amigas e eu sentamos em locais distantes. Minha poltrona ficava em uma posição privilegiada em relação ao palco, ocupado pelos instrumentos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Aos poucos os músicos foram chegando e elegantemente se postavam diante de seus respectivos instrumentos. As luzes começaram a diminuir lentamente seu brilho. O maestro entrou no palco e a platéia aplaudiu ruidosamente. A linguagem da música orquestrada trazia gente de diversos locais e geração, para um espaço comum e compartilhado.
Na Cidade Digital deveria ser semel