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Cidade Digital


Evandro Prestes Guerreiro

Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).


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Publicado: Segunda-feira, 29 de maio de 2006

Liderança, Moral e Ética na Era Informacional

A velocidade como os boatos se tornavam verdades e amedrontavam as pessoas, era proporcional ao volume de informações sensacionalistas que circulavam irresponsavelmente, sem qualquer critério, triagem ou ética. Na televisão repetidamente as imagens de incêndios em ônibus eram mostradas por repórteres histéricos. Na internet circulavam notícias das mais absurdas e infundadas, entretanto, o medo deixou a razão “sem sentido” e as especulações se transformaram em verdades com imperceptível velocidade.

A informação na Cidade Digital é matéria prima e produto simultaneamente e, como tal, torna-se o diferencial que estabelece o limite necessário entre o senso comum e a ciência, entre a moral e a ética, entre o técnico e o empreendedor, entre o profissional e as crenças pessoais. Às 72 horas, seguintes aos ataques criminosos em São Paulo, no último dia das mães de 2006, foram mais demoradas do que pareciam. A indústria da segurança que move 10% do PIB brasileiro estava “nocauteada” pela ausência de projeto para o desenvolvimento humano e combate à insegurança, assim como, a pobreza, as epidemias, o desemprego, a corrupção e o analfabetismo político.

A formação de novos limites somente é possível se os limites anteriores forem superados e não eliminados como algo desnecessário ou excessivo. Os limites são estabelecidos no núcleo familiar, com a presença dos responsáveis diretos pela vida daquela criança que está sendo orientada enquanto se desenvolve. A moral transmitida entre gerações sofre mudanças de forma, mas, a sua essência permanece para estruturar a ética individual que se coletiviza no grupo social.

A disciplina é necessária desde criança, não como postura autoritária e opressora, mas, como dimensão que organiza os passos a serem seguidos na trajetória da vida social, em comunidade. “Ensinar seus filhos a escolher seus amores”, canta os versos de Ana Carolina e “seu” Jorge. A aversão pela disciplina pode ser explicada pelo período autoritário no Brasil, sob o regime militar, que deixou marcas na inteligência emocional da geração na época, mas, isto não justifica a ausência da disciplina que compromete a autoridade ética da relação dual. Se a ética é comprometida, o próximo estágio é negar a moral. Isto se projeta em vários ambientes da vida social, seja nas organizações, nas escolas, nos grupos de referência, na “UniverCidade”. Em tempo real definimos uma nova ordem, mas, sem critérios previamente definidos. A parcela que resiste a mudança insiste em métodos ultrapassados, palavra que significa muito, mas, muito além do passado. Torna-se um “mantra” insustentável pela realidade, pela fantasia que confunde o anti-herói, corrompe o herói e transforma a ética em algo aparentemente pretérito e imoral, portanto, ULTRApassado.

A vergonha perde a referência e a coragem, até vence, mas, sem vergonha. Os limites, que inexistem na Era da Informação, universalizam rapidamente a cultura da não governança, a autoridade cede lugar para um sistema fechado de rotinas que aprisionam, por um lado e, por outro, exacerbam a sóciofobia. Na emergência de novos valores surge a “urbefobia”, sistema em rede que envolve as matrizes existentes e desafia a ordem social. O que parece cri




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