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Cidade Digital


Evandro Prestes Guerreiro

Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).


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Publicado: Segunda-feira, 12 de junho de 2006

O mapa cósmico da Cidade Digital

O local era harmonizado por fora e caótico por dentro. Árvores, uma fonte jorrando água, alguns pássaros que habitavam seus ninhos, flores coloridas, um banco para sentar no jardim e objetos decorativos completavam o ambiente. A sensação era que estava chegando em um sitio típico do interior de São Paulo, não fosse estarmos na região da Vila Mariana. Quando entramos na casa, a decoração se organizava de forma caótica, uma ordem sem nexo, desencontrada, em busca de um sentido. Meus olhos foram estimulados pela curiosidade de descobrir a lógica de cada objeto, cada móvel, tela pendurada na parede, fotografia, imagens de deuses da mitologia grega, luminárias com papel colorido que desviavam os raios de luz no espaço e um círculo de cadeiras com dezessete pessoas sentadas, ambientavam a sala. Eu e minhas duas amigas, após cumprimentar a palestrante e acenar para os presentes, ocupamos os três últimos lugares.

A formação circular das pessoas sentadas delimitava o espaço que possuía em sua parte central uma vela decorativa acesa. Observei calmamente cada participante daquele grupo. Além de mim, existiam mais duas pessoas do sexo masculino e as demais eram mulheres, incluindo a que fazia a palestra sobre astrologia. A exposição abordava as diversas possibilidades de confluências entre o dia que cada pessoa nasceu, o local e o horário mais próximo possível, uma vez que o tempo de um segundo altera sensivelmente a graduação, a angulação, a densidade material, espiritual e o impacto exercido sobre o destino das pessoas, a partir da posição dos planetas, do sol e da lua.

O mapa cósmico (http://www.astrologiareal.com.br), resulta do cálculo feito para o momento em que cada pessoa respirou pela primeira vez e começou a existir como ser vivo. Este mapa é orientado pela latitude e longitude da cidade em que se nasceu, como também, influi o fuso horário e as coordenadas. Obviamente que estes indicadores revelam uma parte da posição de todos nós no mundo material. A precisão da informação genética completa o mapa, considerando que somos produtos de nossos ancestrais e matéria prima da geração futura. Assim como o mapa cósmico, que revela informações gerais sobre a existência de cada pessoa, o mapa da cidade é a base de qualquer orientação estratégica para o desenvolvimento humano em âmbito local e global.

Acessando o mapa do local que se pretende chegar, qualquer pessoa consegue planejar e organizar a trilha que seguirá entre um ponto a e um ponto b no planeta. O mapa pode estar desenhado no papel, como em sua memória ou ainda, pode, simplesmente, ser fruto da imaginação ou intuição. No caminho português para Santiago de Compostela, (http://www.caminhodesantiago.com), na Espanha, em 1999, por exemplo, seguia o tempo inteiro uma seta amarela que estava pintada no chão, nos muros, postes, pontes, margem da estrada, nas árvores e quando estava “perdido”, atravessando uma região mais fechada e a noite havia chegado rapidamente, sem que eu estivesse devidamente preparado para caminhar durante o entardecer, sem lanterna ou outro objeto luminoso, foi no brilho das estrelas que formavam uma seta no céu, pois, não conseguia ver outra forma naquele momento, seguindo a intuição, encontrei o norte até a cidade mais próxima. Depois de uma hora caminh




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