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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
Minha caixa de e-mail estava cheia e precisava deletar o lixo eletrônico. Às vezes quando estou com paciência apago tela por tela, em outras ocasiões, quando a tolerância está no limite, simplesmente seleciono tudo e aperto a tecla DEL. Neste dia, decidi olhar a lista de mensagens antes de excluir. Entre as exibidas, uma era de um “admirador anônimo”, pelo menos era assim que se apresentava. Escreveu algumas palavras sobre o que lia nas crônicas que escrevo sobre Cidade Digital.
Em uma de suas observações, perguntou se o que eu escrevia era fruto de situações reais vividas por mim. Não perdeu a oportunidade de questionar sobre os atores que homenageio quando narro as situações, dentre eles, o meu animal de estimação. Ao ler o e-mail, pensei se o “admirador anônimo” estava fazendo uma invasão de privacidade ou simplesmente, desejava realizar a fantasia do ciberespaço. Preferi considerar esta última possibilidade.
Como optou por manter o anonimato, não saberia dizer se teclo com uma pessoa do sexo masculino ou feminino, como também, fica difícil estabelecer com segurança a faixa etária e outras características. Penso que o nome estabelece o significado. No dizer de Jacques Lacan, psicanalista francês que faz a releitura da obra de Sigmund Freud, o nome identifica o objeto do desejo enquanto significante. Este por sua vez, transforma-se na essência motivadora da fantasia em relação ao outro. A memória emocional completa a inteligência do sistema e atribui o significado peculiar a cada história de vida.
No ciberespaço, o nome faz a diferença e permite localizar cada função específica buscada na rede. Neste oceano alfanumérico as redes eletrônicas se comunicam entre si, possibilitando a transmissão robusta de informações que são tratadas em múltiplos formatos de conteúdo digital. Esta tecnologia evolui no sentido da convergência e integração dos recursos facilitadores da comunicação em tempo real, personalizado e cada vez mais portátil. As partes e os fragmentos se completam no todo e configuram a rede cósmica da Cidade Digital.
Nos próximos dez anos, as tecnologias de informação e comunicações serão as vedetes no ciberespaço, conectando as pessoas em qualquer lugar que estejam, operando uma sofisticada revolução cibercultural, como sugere o filósofo francês, Pierre Lévy em sua abordagem sobre a inteligência coletiva. Por outro lado, produzirá um intrigante fenômeno: a “ciberesquizofrenia”, dobra espacial geradora da dúvida sobre a realidade em que se encontra e a interatividade das dimensões existenciais.
A realidade será única. Virtual e presencial estarão integrados pela nanotecnologia (http://www.comciencia.br/reportagens/nanotecnologia/nano10.htm) e os sistemas inteligentes de biochips, circuitos eletrônicos capazes de detectar compostos químicos e biológicos que transformarão a percepção humana. Neste estágio evolutivo da Sociedade de Informações, diferenciar entre o que é real e fantasia será somente uma questão de ponto de vista. Todos estarão conectados na rede e fazendo parte dela. Nada escapará ao sensor de calor, o GPS ou o olhar eletrônico que monitorará 24 horas a cidade.
O conforto e a comodidade, facilitados pelas redes inteligentes de servi&cced