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Doutor e Mestre pela PUC-SP. Cientista Social. Psicopedagogo, Psicanalista lacaniano e coordenador de Grupo Operativo. Autor de diversos livros, entre eles: Cidade Digital - Infoinclusão Social e Tecnologia em Rede, pela editora Senac-SP (2006).
Confesso que a cena me deixou atormentado. As duas vidas estavam no limite, na extremidade, por um fio. A instituição encarregada de recuperar os adolescentes socialmente desviantes estava pressionada por um único jovem, que decidiu sair do padrão comportamental e, liderar um confronto direto e solitário contra o sistema, obviamente, usando a arma que lhe cabia naquele instante. “Pegou” o mais próximo, despreparado e frágil ponto do sistema correcional. Percebia aquele metal pontiagudo que o adolescente segurava no pescoço do educador, não como afronta à vida, mas, um alerta do que poderia acontecer aos futuros adultos ali internados, se não soubéssemos o que fazer com as mais importantes ferramentas de aprendizagem: o diálogo e a comunicação.
O pedagogo brasileiro dos oprimidos, Paulo Freire, ao retornar após quinze anos de exílio político decretado pelo regime militar de 1964, com atitude e autoridade , na obra Educação e Mudança (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979: 69), alerta que “é no diálogo que nos opomos ao antidiálogo tão entranhado em nossa formação histórico-cultural, tão presente e, ao mesmo tempo, tão antagônico ao clima da transição. Precisávamos de uma pedagogia da comunicação com a qual pudéssemos vencer o desamor do antidiálogo”. Diante da situação que me encontrava, a habilidade técnica era inquestionavelmente importante, a maturidade profissional, sem dúvidas, mas, a atitude e a postura, seriam decisivas para gerenciar o risco.
O diálogo, neste caso, não competia ao jovem, mas, cabia ao educador assumir plenamente esta função, enquanto matéria prima do processo de aprendizagem e recolocação social dos adolescentes infratores. Porém, diferente do que seria óbvio, o educador passou a olhar os acontecimentos institucionais como uma rotina padronizada e devidamente catalogada, seqüencial, reflexo do micro e macro sistema judicial brasileiro, que com o passar do tempo, segmentou as infrações por categorias de periculosidade e desatenta a sua função de fazer prevalecer à justiça em qualquer circunstância, passou a usar o antidiálogo da burocracia, da estandardização e da rotina.
Tanto os educadores como os adolescentes são vítimas. A sociedade, diferente do que a justiça ou o magistrado possa pensar, é juiz e réu. O cidadão na Era da Informação assume uma postura imperativa e, livre de julgamento superior, exerce os direitos e o poder da desobediência civil no âmbito comunitário. Em São Paulo e Rio de Janeiro já vivemos esta experiência no domingo das mães, em maio de 2006. O antidiálogo, que começou nas prisões e extrapolou os limites da governança institucional, agrediu violentamente a sociedade em suas múltiplas dimensões e tornou um único nome – PCC, sinônimo do medo.
Conforme aborda o antropólogo americano David Henry Thoreau (1817-1862), autor da obra em português, “Desobedecendo”, (Rio de Janeiro: Rocco, 1997), que influencia as convicções de Gandhi nos destinos da Índia e que se torna precursor dos movimentos libertários do século XX, a desobediência civil é a arma mais letal que a sociedade moderna, em plena era informacional, possui a sua disposição e, no caso brasileiro, esta arma é o apertar do botão na urna eletrônica. O adolescente, segurando fo